Clube do Canário da terra

 Canto - Fibra - Mutações

RECORDS DE FIBRA

RECORDES DE FIBRA

 

 

Temos registrado os seguintes recordes:

(Estamos falando sempre dos últimos 15 minutos e sempre marcado por volta das 12 horas e em rodas com mais de 80 canários).

 

A - Dos falecidos:

 

1 - Marruá (Canário do Roberto Toledo - aqui de Jacareí - com 261 cantos (Araras-SP), mas a média era de 180 cantos) consegui adquirir esse canário, mas já estava velho demais (aprox 23 anos) e não consegui um só ovo fértil dele em 2 temporadas. Soltamos num amplo viveiro pois já não conseguia cantar mais. Esse canário participou (anotado) em mais de 200 torneios. Não se sabe a origem.

 

2 - Tieta (Canário do João Paulo, dentista aqui em Jacareí; um dos fenômenos que já apareceu). Sempre com mais de 200 cantos. Sua média era 220 cantos. O João Paulo o adquiriu já amarelo. Morreu no consultório dele, de repente. Até hoje ainda está na mesma gaiola, no mesmo prego, no mesmo lugar, intocável; durinho de pernas para cima. (O Aloísio cita este como recordista). (veio de Alfenas – MG).

 

B - VIVOS:

  

1 - Jacaré (Canário do Marquinhos, de São José dos Campos, supostamente com 6/7 anos atualmente) veio de algum lugar de Minas Gerais. Foi trazido pelo Carlão (São José dos Campos) que o vendeu ao Marquinhos. Ainda é um canário que está sendo acertado, quando resolve cantar é impossível de marcar. Passa sempre dos 200 cantos. Recorde 260 cantos. Esse canário está vivo e bonito.   

 

2 - Guri, (Canário do Pedrinho de Luminárias-MG) 198 cantos no torneio da GM (2003 - 1º lugar) (GM = fábrica de autos em São José dos Campos) mais de 180 canários na roda.

 

3 - Sacoleiro - (Antonio Lázaro - São José dos Campos) na temporada passada fez ótimas performances sempre com mais de 180 cantos. Seu recorde foi 220 cantos. Acabou de fazer a muda (Novembro/06) e ainda não voltou ao seu esplendor. (veio de Alfenas – MG).

 

4 - Magnata - (Antonio Lázaro - São José dos Campos) Se não é o recordista é o mais regular. Participação em mais de 220 torneios por todo o Brasil. Sempre viajando (o que torna tudo sempre mais difícil) tem mais de 120 primeiros lugares. É Tri campeão brasileiro de fibra. Seu recorde é em torno de 190 cantos. Só que mantém média superior a 150 cantos. Está com o Antonio Lázaro já há 10 anos. Não se sabe a idade. Já comprou amarelo. (Veio de Minas)

 

5 - Garoto (Renato - São Lourenço-MG) foi o que ganhou o torneio da GM em 2004 (190 cantos), e Aparecida 2004, tendo na mesma roda o Sacoleiro (2º) e o Guri (3º), Médias sempre altas (mais de 170 cantos). Estava sendo vendido (Setº/06), algo em torno de R$ 5.000,00.

 

6 – SANTO GRÃO – 308 cantos – Taubaté – 07/09/09

 Informações registradas e enviadas por  Luiz Antônio Taddei - Jacareí - SP

COMO REPRODUZIR EM CATIVEIRO

 

Noções Básicas na Criação de Canário-da-Terra

 

                                            Paulo Rui de Camargo


DESCRIÇÃO: O canário-da-terra está classificado cientificamente como Sicalis flaveola. A subspécie brasiliensis é popularmente conhecida como canário-da-terra verdadeiro, chapinha, canário-da-telha, canário-de-briga, cabecinha-de-fogo, canário-de-bulha e outras denominações vulgares regionais.
 
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: Esta subespécie tem dilargada área de distribuição e habitat no território brasileiro. Abrange os estados do Norte-Nordeste, iniciando no Maranhão até a região sudeste, atingindo Minas Gerais até o sul do Estado de São Paulo e algumas localidades do norte do Estado do Paraná. Daí para baixo, até o Rio Grande do Sul, incluindo o Estado do Mato Grosso do sul, existe a subespécie pelzelni, conhecida pelos nomes populares de canário-da-terra do Sul, canário-do-Oeste, canário-do-Mato Grosso, canário-da-horta, canário-da-terra cinzento, canário do campo, e outros nomes regionais. Ele tem coloração cinza-amarelada, não tão intensa como a primeira subespécie aqui citada. 
GENERALIDADES: As duas subspécies, segundo consta de dados oficiais (extraídos de relações de aves registradas em associações e clubes ornitológicos, bem como no IBAMA), o de canário-da-terra é a ave canora que possui, em nosso País, o maior número de exemplares cadastrados e mantidos em cativeiro. O canário-da-terra (CT) é muito conhecido e estimado pela maioria dos passarinheiros de quase todo o Brasil. A sua popularidade advém não só pelo seu canto, sua agilidade, elegância, fogosidade, índole belicosa, vivacidade, boa saúde, mas também por outros predicados, como, por exemplo, a facilidade de criação em gaiolas-criadeiras. 
CRIAR PARA NÃO EXTINGUIR: Nestes últimos dez anos, houve enorme incremento de sua criação em domesticidade, com muito sucesso, já que ornitófilos conscientes verificaram que, este pássaro tão espetacular, já estava extinto em várias localidades, onde, outrora, era abundante e encontradiço em bandos numerosos. Assim, o lema que adotei há vários anos atrás é criar para não extinguir. Devemos, pois, criá-lo em nossas casas para que as gerações futuras tenham ainda o privilégio de tê-lo como animal de estimação, usufruindo suas cantorias, tão apreciadas. 
AQUISIÇÃO DOS REPRODUTORES: A compra das matrizes para iniciar uma criação doméstica deve ser vetoriada na qualidade do plantel e não na quantidade dos exemplares, visando sempre a estirpe dos reprodutores. Não há necessidade de um número elevado de casais. Se o objetivo for criação voltada para uma futura comercialização e pássaros para participação em torneios e exposições, o ornitófilo deve dar preferência a aves cuja origem genética seja de boa procedência, adquiridas de criadores credenciados e de prestígio, com aves registradas no IBAMA. A compra há que ser feita mediante Certificado de Transação de Passerifiormes – CTP, ou nota fiscal, se o pássaro vier de um aviário/criadouro comercial. De outro lado, o futuro criador deve se filiar a um Clube ou Associação Ornitológica e cadastrar seus pássaros no IBAMA. 
CRIAÇÃO DOMÉSTICA: O canário-da-terra. pode ser criado facilmente em pequenos viveiros gaiolões ou gaiolas-criadeiras. Mas para facilidade de manejo, a melhor maneira é a criação em gaiolas, que podem ser totalmente aramadas (arame galvanizado), como de armação de madeira e fios de arame. Eu comecei criando em gaiolas de armação de madeira e fios de arames liso, com 1,00 m.(comprimento) X 0,50 cm.(altura) e 0,50 cm.(largura). Depois, passei para outras com 0,80X0.45X0,30 cm e, mais recentemente, as totalmente construídas de arame, com 0,60X0,40X0,30, que me parecem ser as mais higiênicas e ergonômicas, inclusive aquelas providas de grades no piso, separando o assoalho, para que as aves não tenham contato com as fezes e grade central removível. O tamanho ideal de uma gaiola, para acomodar individualmente um canário-da-terra adulto, pode ter: 0,50 cm. (comprimento), 0,20 de largura e 0,50 de altura. Poleiros lisos e roliços, todos do mesmo diâmetro, que vêm juntos com as gaiolas, devem ser trocados por outros, de galhos ou ramos de árvores, de diferentes diâmetros, por exemplo, um fino, um médio e outro grosso. Eles são mais naturais, como acontece na vida silvestre. Poleiros lisos, industrializados, iguais em espessura, acabam acarretando crescimento exagerado das unhas, deformações nos nervos, músculos e articulações dos dedos e pés dos pássaros. Além disso, o CT gosta de dormir em mini-poleiros, denominados “maritacas” ou “dorminhocos”, por isso é interessante instala-los na parte superior das gaiolas. 
CAIXAS-NINHOS: Como o canário-da-terra utiliza, na natureza, como local de nidificação, buracos, ocos ou cavidades, é importante colocar, nas gaiola-de-criação, caixas-ninho de madeira, com tamanho variando entre 0,25/0,20 cm. (comprimento), 0,12/0,10 (altura) e 0,14/0,12 cm. (largura), medidas interiores. A caixa-ninho deve ter um buraco de entrada, uma tampa móvel para observação na parte superior, uma grade protetora (para evitar fugas) e duas dependências internas, tipo “sala/quarto”, isto é, dois compartimentos interligados e separados por um pequeno tabique de madeira, colado no piso da caixa. Na parte reservada ao “quarto” (parte do fundo) é o local onde a tijela do ninho será construída. 
MATERIAL PARA NINHO: o ninho poderá ser composto dos seguintes materiais: fios de saco de aniagem (juta ou estopa) com 8/10 cm. de comprimento, fios de crina e/ou rabo de cavalo, raízes de capim amargoso, erva cidreira, etc, radículas, talos e folhas secas de gramíneas ou capim, fibras de sisal, fiapos e tiras finas e macias que revestem troncos de coqueiro, palha de milho, gavinhas e gravetinhos bem finos e flexíveis, lascas de folhas secas de bananeira, lã desfiada entre outros materiais. Estes materiais devem ser fornecidos em quantidade suficiente para que a tijela do ninho possa ser construído dentro das caixas-ninho. 
As gaiolas não devem ser posicionadas uma em frente das outras, mas uma ao lado da outra, com vedação entre elas, para que os reprodutores de uma gaiola não possam ver os seus vizinhos. Se os casais tiverem acesso visual ocorrem brigas e a criação se inviabiliza. 
CRIAÇÃO DOMÉSTICA: Para a criação em nossas casas, precisamos escolher um local adequado. A dependência onde as gaiolas criadeiras irão ficar deve, preferencialmente, ser um local que tenha claridade, onde alguns raios de sol possam entrar na parte da manhã. Todavia, isto não é fundamental. O local, porém, deve ser arejado, com boa ventilação, mas livre de correntes de ar e vento encanado. Não pode ser abafado, muito quente, úmido ou frio em demasia. Em geral, o período criatório, no Estado de São Paulo, inicia-se nos meses de setembro/outubro, terminando em março/abril, podendo prolongar-se até maio, dependendo das condições climáticas, da muda de penas e do comportamento dos reprodutores. 
Um canário-da-terra (CT), desde que bem tratado, pode viver em cativeiro por cerca de 12 anos ou um pouco mais. Na natureza eles têm vida mais curta, talvez em torno de 5/6 anos, em função de maior desgaste de energia na procura, obtenção e disputa por alimento, ataque de predadores, competição para acasalamento, brigas entre indivíduos da mesma espécie e/ou com aves de outros gêneros, doenças sem tratamento, inclemência das condições atmosféricas, caça, intoxicações por agrotóxicos, alimentação deficiente e outros. 
A chave no sucesso da criação doméstica baseia-se na higiene e na profilaxia de enfermidades, parasitas e/ou microrganismos nocivos. Por isso a limpeza deve ser realizada com regularidade, com faxinas rotineiras de todos os componentes do criadouro para eliminação de focos de matéria orgânica, bactérias, germes e insetos. Toda sujeira precisa ser eliminada, combatendo-se, também, piolhos, ratos, formigas, baratas e lagartixas, que podem invadir os ninhos e gaiolas. 
ALIMENTAÇÃO: Sementes: Como alimento básico pode-se ministrar uma mistura de sementes – alpiste (60%) e o restante da mistura composta por grãos de painços, também conhecido por milho-alvo (amarelo, verde, preto e vermelho, branco), milheto, niger, aveia, senha e painço português. O CT não aprecia muito as sementes de linhaça, nabão e colza. Nesta mistura de sementes acrescentamos uma emulsão de óleo de fígado de bacalhau, na proporção de uma colher de sopa para cada quilo de grãos. A emulsão é derramada por cima das sementes. Após isso, revolve-se, com as mãos, as sementes para que este suplemento vitamínico se incorpore aos grãos. Pode-se, ainda, fornecer, supletivamente: fubá-grosso, quirerinha bem fina de milho (milharina ou sêmola de milho), grãos quebrados de arroz integral descascado e de trigo. Farinhada: Deve-se entender como “farinhada” a mistura de vários tipos de farinhas (aveia, soja. milho, trigo, arroz, rosca, etc), acrescidas de suplementos de proteínas, aminoácidos, ovo em pó liofilizado, vitaminas, sais minerais e outros componentes. As farinhadas são fundamentais para a criação. Muitos criadores preferem, eles próprios, “fabricar” seus “concentrados”, com fórmulas caseiras. Mas, o mais prático, é adquirir estas farinhadas já prontas para uso, com fórmulas balanceadas e padrão internacional de qualidade. Existem diversas marcas, tanto importadas, como nacionais. A farinhada deve ser fornecida em pequena quantidade (para evitar fermentação), em potinhos de louça, cerâmica esmaltada, vidro ou plástico. Legumes: pepino, jiló, maxixe, berinjela, e polpa cozida de batata doce. As verduras mais apreciadas são: almeirão, escarola (chicória), catalonia, couve, rúcula, espinafre, agrião, mostarda, acelga, folhas de beterraba, cenoura, caruru (bredo). Frutas: banana, maçã, laranja, goiaba, amora, araçá, pera, melão (parte branca perto da casca), figo e mamão (não muito maduro). 
Para finalizar é mencionado, abaixo, os vários prazos na criação do canário-da-terra em cativeiro: construção do ninho de 5/6 dias, dependendo do fornecimento de material. Quando existe fartura de materiais, os ninhos podem ser construídos pelas aves em 2/3 dias; Ovipostura 1/6 ovos, média 4 ovos; Lapso de tempo entre uma postura e outra (quando ocorre choco e nascimento dos filhotes: 35/40 dias; Choco-incubação: 12/13 dias; Anilhamento: 8/10 dias; Empenação dos filhotes: 12/15 dias; Saída do ninho: 13/16 dias (máximo 18 dias); Filhote comendo sozinho: 27/30 dias (mínimo 22 dias – máximo 38 dias) ; Separação dos filhotes : média 30/35 dias até 40 dias; Penas completamente crescidas: 50/70 dias (primeira muda) ; Muda de adulto: 12 a 15 meses; Muda de ninho: 4 a 6 meses; Canto: currucheio ou início do chulrriar: 75 dias em diante após o nascimento.

 

 

CRIAÇÃO

 

Sistemas de criação CT - criação monogâmica e poligâmica

 

 

1) Vc. pode, se quiser, manter o casal junto ou separado, dependendo do tipo de reprodução que irá ser utiizada : monogâmica ou poligâmica.

 

A monogâmica o casal fica junto, na mesma gaiola criadeira. O macho, nessas condições, pode ajudar a tratar dos ninhegos e deverá ser retirado quando os filhotes estiverem com aproximadamente 15 dias de vida.

 

No método poligâmico vc. pode utlizar um ou mais machos para várias fêmeas. O macho gala a fêmea e é retirado da gaiola criadeira. A fêmea, então, sozinha, bota, incuba e trata dos filhotes, sem a interferência do macho. 
Vc. poderá escolher qual o melhor método para a sua criação doméstica de CT. Segundo alguns criadores, o método poligâmico tem suas vantagens. 


2) Para juntar, macho e fêmea, eles devem ser colocados juntos (na mesma hora) na gaiola de criação, procurando-se evitar disputas e brigas territoriais. O criador deve observar se o casal se deu bem e não ocorrem brigas. Atenção : em certos casos, tanto fêmeas, como machos, podem matar, um ou outro. 


3) Os casais de canário-da-terra não podem se ver, na época da reprodução, devendo as gaiolas criadeiras ficarem separadas por um tabique (de madeira, de metal, de acrílico ou outros materiais). As melhores gaiolas de criação são as de metal, com fundo e grade de proteção contra dejetos.

 

 

FIBRA

 

A Fibra dos Canários da Terra

                                        Escrito por: Luiz Antonio Taddei 

     Quais os motivos que fazem do Canário da Terra ser o pássaro mais comum (e querido) nas gaiolas desse nosso Brasil??? Que estranha atração é essa??? Seria a predominante cor amarela que o torna tão lindoe agradável aos nossos olhos??? Seria seu canto de diversas formas estalado que nos lembra agradáveis rincões que vimos ou sonhamos??? Seria sua incrível capacidade de adaptação aos mais diversos ambientes esua incrível capacidade reprodutiva??? Seria sua aguerrida valentia não superada por nenhuma outra espéciede pássaro???Mas, então, por qual razão o número de Canários da Terra vem diminuindo nos Torneios de Fibra???Seria em razão de possíveis dificuldades da marcação de seus cantos de múltiplas versões??? E porquerazão é sempre o último na ordem das marcações dos torneios???Avendo outra hipótese.

A enorme dificuldade de se criar Canários de Fibra.

     Ahh, a Fibra!!! Eita qualidade desejada, procurada, pouco encontrada e difícil de ser descrita. Pior, vem sempre associada à Valentia.Dou minha definição:A Valentia é a impetuosidade o destemor que o atira aos confrontos sem medir conseqüências e resultados. É uma das características admiráveis dos CTs que os transformam em aguerridos combatentes.                                    

     A Fibra é capacidade de manter e sustentar por horas, seu canto e postura mesmo que cerceado por incontáveis contendores. É a “personalidade” firme que não se dobra nem se rende tal qual “sandália de padre” que mesmo desgastada continua pronta para a próxima peregrinação.

     Mas em que grau é essa Fibra ou Valentia??? Terão “mais ou menos” Fibra os que, durante um torneio, pouco se movimentam e cantam calma e ritimadamente acomodados em um poleiro, ou aqueles que conseguem manter um alto número de cantadas voando de uma grade à outra, não se atendo a um só poleiro. Como Comensurar o Incomensurável?? Qual dos dois tipos acima descrito seria o mais indicado à reprodução. Ou nenhum deles??? Se isso já não bastasse acresçamos a inquietante dificuldade da transmissão dessas qualidades à prole.

    Minhas observações pessoais me levam a concluir que ainda estamos tendo pouco sucesso em reproduzirem nossos filhotes essas qualidades tão características e desejadas.

 

“Até um imbecil passa por inteligente se ficar calado.”

Mesmo correndo o risco de julgamentos, começo a expor aos amigos algumas teorias:

1 - Como mensurar a Fibra ???

2 - A Fibra e Valentia são hereditárias, aprendidas ou adquiridas ???

3 – Será a seleção dos canários mais difícil que a de outros pássaros???

O ponto máximo de análise da Fibra são os torneios. Lá essa qualidade é posta à prova em tensão máxima. Não raras vezes, os Canários viajam horas em plena madrugada para estarem no local do torneio antes das 8 horas da manhã; participam do torneio, disputando canto a canto ao lado de algumas dezenasde outros Canários, permanecendo até por volta das 12 horas, cantando sem parar e ainda conseguem sairdeste dificílimo embate cantando e evidentemente nos deixando extasiados. Mas para que se possa mediressa Fibra serão necessários no mínimo 2 ou 3 longos anos para a maturidade do pássaro e preparação paratais torneios e dificuldades.O ponto máximo de demonstração da valentia são as “brigas de Canários”. Não se trata de aprovar ou não. O fato é que mesmo proibidas elas existem e é uma realidade em todo o Brasil, desafiando a legislação e a fiscalização. Indiscutivelmente, vemos nesse meio, Canários de primeiríssimo time que muito bem poderiam ser aproveitados em nossas seleções, pois viriam enriquecer plantéis e teriam muito a transmitir.Acredito ainda, que tanto a Fibra como a Valentia são caracteres hereditários e assim sendo, lembrem-se que a hereditariedade é um fenômeno biológico que permite aos reprodutores passarem para seus descendentes suas boas ou más qualidades.Esse assunto já foi por muitas vezes comentado e discutido, mas como “aprendemos mais quando questionamos o que parece óbvio” (filósofo e criador mineiro José Carlos Luz Martins), chamo a atenção para dois depoimentos que transcrevo:

“Também não conheço trabalhos sobre seleção genética dos nossos pássaros, na verdade não tenho informação se características como valentia, fibra seriam herdadas ou aprendidas; Pássaros que vivam em uma região com fartura de comidae locais para ninhos não precisam ter tanta fibra e valentia como aqueles em que na região a comida não é tão farta e os locais para ninhos são poucos, este fato leva algumas pessoas a imaginar que o processo que estes caracteres não são herdados, mas aprendidos.Se for hereditário funcionaria como qualquer mutação de cor. O problema que é que na imensa maioria das variações de cores estão envolvidos apenas 1 ou 2 pares de genes, então é mais fácil de controlar e estudar e prever, características como fibra e valentia poderiam ter mais genes envolvidos o que dificultaria um estudo.”O segredo desta história é sempre anotar tudo, só assim de posse de resultados é que dará para saber se é hereditário ecomo funciona”.“Trabalhar com mutação de cor é muito mais fácil, por ser facilmente visível e não depender de outros fatores: saúde do pássaro, alimentação, etc que provavelmente teriam influência na fibra e valentia.”

Paulo Flecha, Criador de Pássaros, Ornitólogo e Pesquisador.De pronto esse depoimento nos remete a uma reflexão:Nós que fazemos a reprodução dos canários em pequenas gaiolas, estamos errando o manejo dosfilhotes??? Deveríamos soltar todos os filhotes em grandes viveiros com poucos pontos de comida e abrigo e deixar que as dificuldades os moldassem??? Seriam revelados os bons??? E que destino dar aos demais???Não correríamos riscos desnecessários???

“Talvez a genética seja o item mais importante em todos os animais. Se você puder aliar uma boa genética a um bom manejo, você terá sempre um grande pássaro. Eu trabalho em meu criatório com o máximo empenho em genética e por incrível que lhe pareça estou tendo problema com meus filhotes, os mesmos vem vindo com muita fibra e com isso não aprendem a cantar o canto clássico. Para quem quer canto clássico a característica “fibra” não é “boa”; os filhotes não aceitam o disco e cantam sem parar e com isso não aprendem as notas do canto. Erram na marcação das notas e não respeitam os mestres. Tem filhote que estraga o mestre se você permitir a demanda entre os dois”. Isair Alves – São Paulo-SP. Selecionador de Curiós de Canto Praia Clássico com mais de 40 anos de experiência.Aqui vemos que a Fibra vem sendo herdada mesmo não estando esta nos objetivos do criador, que com certeza teve esta qualidade nos pássaros formadores de sua linhagem.É certo também que as qualidades iniciais da formação da linhagem ressurgem espontâneas e quede um espetacular campeão cruzado com uma fêmea de iguais qualidades, poderão formar uma geração totalmente heterogênea e sem o menor valor, isto porque suas qualidades podem ter sido herdadas por simples atavismo, sem caracteres fixos das famílias e linhagens às quais pertencem. Muitas vezes esses bons caracteres provem de ancestrais muito distantes. De um mesmo casal de reprodutores poderemos obter filhos expoentes ao lado de medíocres, ou seja:

“É um erro apegar-se ao princípio de que só nos darão bons produtos os descendentes de indivíduos excepcionais, deixando de lado o valor das linhagens, o que é mais essencial” Georgio de Baseggio. E não pensem os passarinheiros que são os únicos que tem dúvidas e incertezas. Transcrevo um trecho de um depoimento colhido de um Columbófilo de Competição (Pombos Correios) a seus pares:

“Como os criadores inteligentes sabem muito bem, em treinos iniciais não se pode tirar nenhuma conclusão precipitada,mas como alegria de pombo meia-asa dura pouco, alguns têm que vibrar logo porque depois... só Deus sabe. Estou só noaguardo, já tem muito pombinho meia-asa (meia asa é pombo cruzado com ornamental, pombo mal cruzado, mal alimentado,mal tudo...) chegando de bico aberto e asa baixa; só chegarão na frente se for uma cagada muito grande, que vez ou outra acontece; Vamos aguardar o final, e como eu disse no e-mail anterior: Não esquenta não que alegria de pombo meia-asa dura pouco. He...he...heheheheeeeee....”

Para avançarmos e passarmos a ter criações com bons resultados, temos que colher depoimentos de resultados e experiências de inúmeros criadores e competidores. O segredo desta história é sempre anotar tudo, só assim de posse de resultados é que dará para saber se tais caracteres são hereditários e como funcionam. Qual o manejo vem obtendo o maior número de bons competidores. A orientação é clássica: “siga em frente, faça anotações e divulgue a suas experiências e conclusões, estamos todos precisando desse tipo de informação”.Os desafios de conseguir um pássaro cada vez melhor, não terão fim.De nossa parte concluímos que Genética e Manejo tem que estar unidas visando um mesmo objetivo.Decidir pelo contrário poderá fazer sua criação virar “um barco a três”:

O primeiro olha para um lado. O segundo rema na direção oposta. E o capitão finge que não vê.